Retrospectiva 2016

Experimentos

Todos os anos, os aprendizes da SP Escola de Teatro se reúnem em pequenas companhias de teatro e fazem exercícios cênicos, que chamamos de experimentos. É uma forma de instigar os estudantes a descobrir as artes do palco. Durante as criações, a vivência é única e eles são donos de seus próprios processos.

Representantes de todos os Cursos Regulares se reúnem em torno de um projeto comum, formando núcleos. A criação dos núcleos é vista três vezes, durante os Territórios Culturais. Na primeira etapa, vê-se um trabalho mais cru, que vai amadurecendo até a terceira e última apresentação.

Os exercícios cênicos, é claro, acompanham a estruturação do ensino na Escola. Se os Cursos Regulares são divididos em quatro Módulos autônomos e independentes (Verde, Azul, Vermelho e Amarelo), os experimentos trabalham eixos temáticos distintos a cada um destes momentos: narratividade, performatividade, personagem e conflito.

As criações também são norteadas por um operador, que é o modo pelo qual as técnicas e conteúdos são trabalhados; pelos materiais de trabalho, que funcionam como um ponto de partida; e pelo artista-pedagogo, que leva referências para dar início aos estudos no Módulo.

Em 2016, a Escola teve 12 edições do Território Cultural. Cada dia teve apresentações de oito núcleos. Estas mostras, é claro, foram acompanhadas pelos coordenadores e formadores da SP Escola de Teatro que, ao mesmo tempo, prestigiaram os aprendizes e fizeram avaliações pedagógicas. A última mostra do Módulo Vermelho foi aberta ao público, em uma experiência próxima de como funciona o teatro profissional.

A cada Módulo, os aprendizes baseiam seus experimentos em um eixo, um operador, um material e um artista-pedagogo. No primeiro semestre, o material foi o disco “A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares, e a operadora foi escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Os artistas-pedagogos nos Módulos Azul e Verde foram Stef Smith e Angélica Liddell.

segundo semestre, o operador foi o psicanalista Jorge Forbes e, a partir de relatos de amizade (que funcionaram como o material do semestre), os aprendizes montaram experimentos sob o tema da “philia”. Enquanto o Amarelo tinha como eixo a narratividade e, como artista-pedagogo, o cineasta Tim Burton, no Vermelho os núcleos tiveram liberdade para escolher com quem e como gostariam de trabalhar.