Retrospectiva 2015

Experimentos

Todos os anos, os aprendizes da SP Escola de Teatro se reúnem em pequenas companhias de teatro e fazem exercícios cênicos, que chamamos de experimentos. É uma forma de instigar os estudantes a descobrir as artes do palco. Durante as criações, a vivência é única e eles são donos de seus próprios processos.

Representantes de todos os Cursos Regulares se reúnem em torno de um projeto comum, formando núcleos. A criação dos núcleos é vista três vezes, durante os Territórios Culturais. Na primeira etapa, vê-se um trabalho mais cru, que vai amadurecendo até a terceira e última apresentação.

Os exercícios cênicos, é claro, acompanham a estruturação do ensino na Escola. Se os Cursos Regulares são divididos em quatro Módulos autônomos e independentes (Verde, Azul, Vermelho e Amarelo), os experimentos trabalham eixos temáticos distintos a cada um destes momentos: narratividade, performatividade, personagem e conflito.

As criações também são norteadas por um operador, que é o modo pelo qual as técnicas e conteúdos são trabalhados; pelos materiais de trabalho, que funcionam como um ponto de partida; e pelo artista-pedagogo, que leva referências para dar início aos estudos no Módulo.

Em 2015, a Escola teve 12 edições do Território Cultural. Cada dia teve apresentações de oito núcleos. Nas últimas mostras de cada Módulo, a Instituição contou com a presença de profissionais do teatro que, após convite, acompanharam as aberturas e escreveram textos relatando suas impressões. Estes convidados foram: Vicente Concilio (Módulo Azul), Edgar Castro (Módulo Verde), Gabriela Mellão (Módulo Amarelo) e Murilo Bomfim (Módulo Vermelho).

A cada Módulo, os aprendizes baseiam seus experimentos em um eixo, um operador, um material e um artista-pedagogo. No primeiro semestre, o material foi a questão “Qual é o seu nome?” e a operadora foi a urbanista Raquel Rolnik. O Azul, que trabalha a performatividade, teve como artista-pedagogo o coletivo Rimini Protokoll. Já o verde, que trabalha personagem e conflito, foi guiado pelas ideias de Mike Leigh.

No segundo semestre, o operador foi o pensador Georges Didi-Huberman e, a partir de uma de suas obras, surgiu o material: “Imagens: o que vemos, o que nos olha”. O tema chegou aos aprendizes por meio de caixas recheadas de imagens e referências para os experimentos. Enquanto o Amarelo tinha como eixo a narratividade e, como artista-pedagogo, o diretor canadense Robert Lepage, no Vermelho os núcleos tiveram liberdade para escolher com quem e como gostariam de trabalhar.