Programa Kairós

O Programa Kairós é responsável pela efetivação de uma das principais características da SP Escola de Teatro, o seu olhar humanista sobre os sujeitos que a integram. Esse cuidado abrange não apenas os aprendizes regulares, mas também os egressos, por meio de ações de acompanhamento da trajetória profissional após formação. Partindo dessa visão, a sociabilidade é articulada sobre vetores educacionais sustentáveis.

O olhar humanista a que se propõe ultrapassa a simples ideia de auxílio financeiro aos mais desfavorecidos economicamente. Uma das propostas é estabelecer articulações entre a arte e a comunidade/sociedade, em processos que buscam uma concepção ampliada de arte com proposições críticas e criativas, ações que aproximem os aprendizes de sua função de artistas/cidadãos. Busca, também, processos colaborativos com outras organizações, na tentativa de diluir fronteiras entre a arte e o contexto da vida cotidiana.

Uma de suas principais ações é a concessão da bolsa-auxílio chamada Bolsa-Oportunidade. Além de conceder este benefício, o Programa Kairós promove ações como elaboração de projetos sociais e/ou culturais, estágio para os aprendizes da Escola, colocação profissional para aprendizes em formação e egressos, intercâmbios culturais – nacionais e internacionais –, e captação de recursos e/ou parcerias junto a órgãos públicos, ONGs, organismos internacionais e empresas privadas.

Durante o ano de 2014, o departamento destinou um total de R$ 915.584,00 para os aprendizes contemplados com a bolsa-oportunidade, sendo R$ 449.084,00 no Edital 01/2014 e R$ 466.500,00 no Edital 02/2014. Ao todo, foram contemplados, recebendo ao menos uma parcela da Bolsa, um total de 210 aprendizes, e 107 aprendizes foram contemplados em ambos os editais.

O benefício da Bolsa-Oportunidade consiste em uma ajuda indispensável para gastos com transporte, alimentação e compra de materiais de muitos aprendizes contemplados, constituindo-se como um fator basilar à formação daqueles em vulnerabilidade socioeconômica e imprescindível ao pleno acesso deles aos bens culturais.

E a geração de acessos à cultura não se limita aos aprendizes: como contrapartida às bolsas-oportunidades, eles devem desenvolver atividades que contribuam com o processo de aprendizado proposto nos Cursos Regulares. Com essas ações, realizadas em consonância com o Departamento Pedagógico, os bolsistas devolvem à sociedade o apoio, e em forma de arte, claro.

Durante o ano, foram realizadas 20 atividades de contrapartidas, cada uma com propostas diferentes, numa grande variedade de proposições: do SP Dramaturgias, projeto de leituras dramáticas, até o Escambo Literário, que incentiva à troca de livros; da monitoria em cursos e projetos ao "Qual é o seu nome?", que lança um olhar afetivo aos moradores de rua; do Kabaridades, dedicado ao estudo e demonstração de trabalhos cômicos, ao Radio Drama, estudo histórico sobre a radionovela brasileira e criação de programas; do São Paulo com Arte, em que são criadas e realizadas intervenções artísticas urbanas, ao Além do Gênero, que abre um espaço regular para o debate sobre a diversidade.

O Kairós também é responsável por um esforço de compreensão do universo da Escola, dos aprendizes e da comunidade. Assim, em 2014, o departamento desenvolveu duas grandes pesquisas: a Avaliação 360º Graus, questionário desenvolvido para avaliar a Instituição como um todo, em suas múltiplas dimensões de ação; e a Pesquisa de impacto social, iniciada em maio com o objetivo de aferir qual será o impacto da mudança da Sede Brás para a Sede Marquês.

Alguns números interessantes do setor revelam a importância de sua existência: 31 estágios profissionais oficializados; 9 formalizações de convênios e parceiras com empresas ligadas às artes do espetáculo; 117 oportunidades de trabalho/estágio divulgadas; e 2137 ingressos doados, totalizando R$ 65.025,00.

É impossível falar sobre o Kairós sem tocar em um de seus mais férteis projetos: os intercâmbios culturais.

Logo no início do ano, a Escola recebeu três novos intercambistas, cada um vindo de um País e, inclusive, de continentes diferentes: a uruguaia Jimena Ríos, que estudou Cenografia e Figurino, e a moçambicana Rita Couto e o português Bernardo Xavier, que cursaram Atuação.

Uma das parcerias nesse âmbito também cria uma ponte que liga o Brasil a um pequeno país insular africano. Com Cabo Verde, a Escola trava diálogos desde 2012, com o apoio da Associação Artística e Cultural de Mindelo (Mindelact).

Em 2014, esse laço não só foi mantido como fortificado, gerando resultados para ambos os lados: Elton John e Ricardo Fidalga, aprendizes cabo-verdianos, cumpriram intercâmbio na SP Escola de Teatro. Elton estudou Atuação e Direção, enquanto Ricardo fez Humor. Do lado brasileiro, um aprendiz da Escola foi ao país para explorar sua musicalidade e levar os sons do Brasil. Selecionado por meio de um Edital, Renato Navarro, aprendiz egresso de Sonoplastia, ministrou oficinas e desenvolveu uma pesquisa por lá.

Dois representantes da Escola foram à Polônia em março, a convite do Departamento de Cultura de Marshal, através do programa "Wake up – call for culture", cofinanciado pela União Europeia. Lá, eles foram apresentados às performances do Nowy Theater, Theater of the Eighth Day, Great Theatre e da Poznań Philharmonic Orchestra.

Em abril, a Colômbia também ficou mais perto do Brasil. Isso porque dois representantes da Escola foram ao país, para participar do Congresso Ispa (International Society for the Performing Arts). No primeiro semestre, a parceria com a Suécia, mantida já há anos, ganhou novos e potentes capítulos: duas aprendizes da Escola foram para lá, concretizando o intercâmbio cujo edital foi lançado no ano passado. As selecionadas, Olivia Vieira, de Atuação, e Daniela Miranda, de Humor, tiveram a oportunidade de estudar na renomada Stockholm Academy of Dramatic Arts (Sada) durante dois meses. Além delas, quatro representantes pedagógicos da Escola também foram em outra ocasião.

E o Brasil também recebeu de braços abertos vários suecos da Sada, incluindo uma delegação de cinema que veio trocar ideias com a diretoria e a equipe pedagógica. E mais: dois aprendizes suecos integraram os Cursos Regulares durante três meses, Klas Lagerlund e Malou Zilliacus.

Em novembro, o coletivo performático OuUnPo (Ouvroir d'Univers Potentiels), formado por artistas, curadores e pesquisadores europeus, encerrou o ciclo de pesquisa denominado "Catastrophe & Heritage" (Catástrofe e Herança), que teve início em 2012 e já passou por Suécia, Itália, Japão, Grécia e Líbano. Um dos locais escolhidos para o evento foi a SP Escola de Teatro.

Outro foco do ano foi a Polônia. Em 2014, a Escola lançou um Processo Seletivo de Intercâmbio para o país. Cumpridas as etapas da seleção, lá foram Aline Negra Silva e Felipe de Oliveira, aprendizes egressos dos cursos de Direção e Cenografia e Figurino, respectivamente. A proposta era a montagem de um texto do dramaturgo tcheco Roman Sikora, com a equipe da instituição parceira, o Teatr Fredry, da cidade de Gniezno, sob direção artística de Lukasz Gajdzis.

Depois de dois meses de trabalho, a montagem estreou no dia 19 de dezembro. E não apenas lá, mas aqui no Brasil também, no mesmo dia, só que com outra equipe, formada por aprendizes atuais e egressos da Escola, sob direção de Adriana Lobo Martins.

Para encerrar um ano tão repleto de contatos internacionais, o Programa Kairós está oferecendo uma nova vaga de intercâmbio cultural, desta vez para a Inglaterra e voltada a aprendizes de Atuação e Humor. As inscrições vão até o dia 9 de janeiro. O selecionado estudará durante alguns dias na conceituada Guildhall School of Music & Drama, que foi eleita pelo jornal britânico The Guardian como instituição especializada número 1 do Reino Unido em 2013 e 2014. "Além de todo reconhecimento por conta do ensino de excelência que ela oferece, a Guildhall é uma instituição com mais de 130 anos. Saber que uma escola desse porte está interessada em travar contato com nós, aqui, é definitivamente surreal. É um privilégio que certamente renderá frutos belíssimos em breve", diz Ivam Cabral.

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