Programa Kairós

 

Na mitologia grega, Kairós era o deus da oportunidade. Sua representação consistia na imagem de um garoto de cabelo de fogo que passava rápido diante dos olhos das pessoas. Aqueles que o viam tinham como desafio agarrá-lo para, então, garantir boa sorte para a eternidade. Foi inspirado nessa figura que a SP Escola de Teatro criou o Programa Kairós, que existe prioritariamente para oferecer oportunidades a seus aprendizes – os atuais e até os egressos – e colaboradores.

É o setor responsável pela efetivação de uma das principais características da Escola: o seu olhar humanista sobre os sujeitos que a integram. Sua principal ação é concessão da chamada Bolsa-Oportunidade, mas além de conceder este benefício, o Programa Kairós promove ações como elaboração de projetos sociais e/ou culturais, estágio para os aprendizes, colocação profissional para aprendizes em formação e egressos, intercâmbios culturais – nacionais e internacionais –, e captação de recursos e/ou parcerias junto a órgãos públicos, ONGs, organismos internacionais e empresas privadas.

Pode-se dizer tranquilamente que foi um ano bastante frutífero para o Programa. Os números provam: foram 1.191 Bolsas-Oportunidade oferecidas – no valor de R$ 622,00 cada uma –; 52 oportunidades de trabalho/emprego divulgadas; 28 estágios profissionais oficializados; 7 formalizações de convênios e parceiras com empresas ligadas às artes do espetáculo; e 1.654 ingressos doados aos aprendizes e colaboradores para apresentações de companhias de teatro brasileiras e internacionais.

Como forma de contrapartida pelo recebimento da Bolsa-Oportunidade, os aprendizes desenvolvem atividades artísticas e culturais que, muitas vezes, superam as paredes da Escola e alcançam visibilidade externa como projetos artísticos. Este foi o caso de “Cabaret [KABARIDADES]” e “Que há de vir...”.

Neste ano, desembarcaram no Brasil, para concretizar intercâmbios, dois estudantes cubanos da Facultad de Arte Teatral del Instituto Superior de Arte de La Habana e uma estudante portuguesa. De fevereiro a dezembro, eles frequentaram, cada qual, um Curso Regular.

No mês de março, a SP Escola de Teatro recebeu cinco profissionais da Universidade de Teatro e Cinema de Estocolmo (conhecida pela sigla SADA), que ministraram aulas a aprendizes e formadores, participando do “Palco SP – Encontro Internacional Sobre o Ensino de Cenografia” e estabelecendo trocas pedagógicas com o quadro de formadores.

No mesmo mês, quatro representantes da Instituição foram enviados para a Suécia com a missão de aprofundar os vínculos com a instituição. Importante frisar que a maior parte dos custos operacionais do projeto (passagem, estadia, alimentação e seguro-viagem dos profissionais suecos em São Paulo; assim como passagem aérea e estadia dos profissionais brasileiros em Estocolmo) são suportados pela Suécia, por meio de convenio firmado por aquela instituição com o Linnaeus-Palme Programme.

As trocas internacionais ganharam continuidade em setembro, quando um representante da Escola foi a Cabo Verde para discorrer sobre o sistema pedagógico da Escola no I Encontro Internacional de Programadores de Artes Cênicas, no âmbito do Festival Midelact, realizado na cidade de Mindelo.

Outro país em que a Instituição esteve presente foi a Bolívia. Por meio de uma parceria com a Escuela Nacional de Teatro Santa Cruz de La Sierra, dois aprendizes do curso de Iluminação ficaram ali por dois meses, de outubro a dezembro.
Também em outubro, dois representantes da SP Escola de Teatro foram para Londres e Glasgow, a convite da British Council (organização internacional do Reino Unido para oportunidades educacionais e relações culturais), para integrar um evento sobre arte e acessibilidade, intitulado “Pontos de contato: arte e deficiência”, organizado pela People's Palace Projects.

E a importância do Kairós vai mais além. É o Programa que coordena a Pesquisas Socioeconômica, a Pesquisa de Egressos, e a Pesquisa 360º – com aprendizes e colaboradores. Cada uma delas contribui para proporcionar uma visão sobre o que vem sendo transformado pela Instituição, oferecendo um feedback imprescindível para o constante aprimoramento das práticas da Escola.

Mas, talvez, o principal projeto do ano para o Programa tenha sido o lançamento do site Chame a Cacilda, uma rede de troca entre artistas das artes do espetáculo.

O projeto virtual nasceu da ideia de cooperação e se pauta em valores e princípios humanísticos de colaboração. Criado para atender a demandas de serviços, materiais e capital humano, além de suprir a dificuldade de articulação entre profissionais para o alcance de seus objetivos de maneira não apenas eficiente, mas também sustentável, o Chame a Cacilda chegou para aproximar e facilitar a concretização de projetos artísticos.

Dessa forma, através do endereço virtual www.chameacacilda.com.br, os artistas podem trocar informações, textos, figurinos, materiais, objetos cênicos, captar parceiros, buscar profissionais, realizar doações, empréstimos, facilitar deslocamentos e propiciar alojamento alternativo quando em trânsito. O resultado dessa somatória de escambos só poder ser positivo: uma transformação efetiva do contexto socioeconômico dos envolvidos e, consequentemente, da classe artística como um todo.

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