O Mundo na SP

 

“A SP Escola de Teatro está permanentemente conectada com o que há de mais moderno e inovador no mundo. Se a destruição de fronteiras está no cerne da contemporaneidade, cabe a nós explorarmos a faceta positiva da integração proporcionada pela globalização e nos aproximarmos do outro de maneira que possamos compartilhar com ele universos ricos em diversidade.”

Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição, escreveu isso em um dos textos publicados em sua coluna no portal da Escola.
E essa, talvez, tenha sido a tendência predominante no ano de 2013 para a Escola: estreitar laços com artistas e instituições de outros países. Essa experiência, que já se tornou realidade do cotidiano da Instituição, começou logo em janeiro, ao receber o 8º Encontro do Instituto Hemisférico de Performance e Política, evento promovido pelo Hemispheric Institute, da Universidade de Nova York, e realizado em uma parceria entre o instituto americano, o Sesc, a SP Escola de Teatro e o Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP.

O maior evento de performances das Américas trouxe uma programação repleta de peças teatrais nacionais e internacionais, artes visuais (exposições), dança, intervenções urbanas, palestras, mesas redondas, grupos de trabalho e debates acadêmicos com artistas, ativistas e estudantes de vários países das Américas, além de muita, mas muita performance. Nele, reuniram-se participantes vindos da Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, República Dominicana, Porco Rico, Haiti, México, Costa Rica, Estados Unidos e Canadá.

Foi também em janeiro que a Escola estreitou os laços com Cabo Verde, a partir do contato com o diretor João Branco, diretor do Festival Internacional de Teatro do Mindelo, o Mindelact. Na África, ainda, a Instituição mantém diálogos com Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.

Março foi um dos meses com maior contato estrangeiro para a Escola, principalmente pela realização do Palco SP – Encontro Internacional Sobre o Ensino da Cenografia, que reuniu profissionais dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Nigéria, Japão, Suécia, Nova Zelândia, além, claro, do Brasil, em rodas de conversa, mesas de discussão e palestras. Foram eles: Eric Fielding (Estados Unidos da América); Kazue Hatano (Japão); Sam Truebridge (Nova Zelândia); Peter McKinnon (Canadá); Ian Herbert (Inglaterra); Osita Okagbue (Nigéria); Claes Peter Hellwig (Suécia); Sara Erlingsdotter (Suécia).

Continuidade da parceria originada em 2010 e oficializada em 2012, a aproximação com a Suécia, por meio da Academia de Artes Dramáticas de Estocolmo (conhecida pela sigla SADA), também ganhou mais um episódio naquele mês. Peter Hellwig, Sara Erlingsdotter, Simon Norrthon, Aleksandra Czarnecki Plaude, Johan Scott, Ulrka Malmgren e Katta Pålsson foram os representantes da academia sueca no Brasil. Por aqui, eles ministraram workshops e participaram de reuniões e debates.
O mês foi longo e ainda deu tempo dos portugueses Joana Craveiro, Gonçalo Alegria, Joana Vilela e Tânia Guerreiro, artistas que formam o grupo Teatro de Vestido ocuparem a Sede Roosevelt para uma temporada de residência, apresentando sua trilogia “Monstro”.

Outros dois portugueses foram recebidos na Escola, em abril: Pedro Rodrigues, codiretor da Cena Lusófona e diretor do Grupo de Teatro Escola da Noite, e o professor e crítico Jorge Louraço, que ministrou uma oficina promovida pelo departamento de Extensão Cultural. O mesmo aconteceu com o diretor e dramaturgo mexicano Alberto Villareal. E o diretor dinamarquês Morten Nielsen aproveitou a vinda ao Brasil para dar uma palestra sobre seu trabalho.

Maio manteve o ritmo de visitas internacionais: estiveram aqui Paul Heritage, da Queen Mary University, e Amit Sharma, do Graeae Theatre, ambos de Londres; Diego Ramallo, diretor da “Fiesta de Pies Descalzos”, da Argentina; Diana Lopez, diretora do Centro Cultural Chacao, na Venezuela; e Tiina Rosenberg, reitora da Universidade de Helsinki, na Finlândia.
Em uma de nossas ações voltadas à acessibilidade, tivemos a presença de Barbara Lisicki, Jhinuk Sarkar e Zoe Partington-Solinger, da Shape Arts, organização empenhada em fazer pessoas com deficiência participarem plenamente no setor cultural das artes.

Fruto de nossa parceria boliviana, contamos também com a vinda de Lorena Rodrigues, da Escuela Nacional de Teatro de Santa Cruz de la Sierra.

Direto da Escócia, o diretor escocês Douglas Irvine conversou com o corpo docente da Escola, ao qual contou sua história como diretor artístico, há mais de 21 anos, da companhia Visible Fictions. Além deste encontro, ele também acompanhou, de perto, durante todo o mês de agosto, o trabalho da Pedagogia e da Diretoria, para entender o funcionamento da Escola funciona e o processo de formação do aprendiz.

No mesmo mês, outras duas nacionalidades visitaram a Escola: o cubano Omar Valiño, professor e Crítico Teatral do ISA, brindou o público com uma palestra, na qual falou sobre o teatro cubano e publicações da área em seu país. E os artistas finlandeses Tero Nauha, Karolina Kucia e Juha Valkeapää, do projeto de performances “Fin La! La! La!”, que ocuparam a Sede Roosevelt.

Em setembro, a Escola praticamente esteve vestida de kilt. Isso por conta da visita de uma comitiva escocesa por meio do British Council, composta por artistas, produtores e diretores de alguns dos principais grupos e festivais britânicos: Linda Crooks (diretora artística do Traverse Theatre); Margaret O’Donnel (produtora independente); Ellen Potter (NVA – Site-specific organisation); Eileen O’Reilly (National Theatre of Scotland); Kath Mainland (diretora do Edinburgh Fringe Festival); Vicky Rutherford (produtora do Catalyst Dance); Margaret Maxwell (Creative Scotland); Fiona Sturgeon Shea (diretora do Playwrights Studio Scotland); Susannah Armitage (produtora do “A play, a pie and a pint”); Kate Bowen (produtora independente).

Vindos dos Estados Unidos, Roger Del Pozo e membros da New York Film Academy foram as outras visitas de setembro. Eles vieram à procura de jovens talentos, realizando audições e workshop. No mesmo dia, membros do grupo dinamarquês Madam Bach, referência internacional no teatro infantil, participaram de uma mesa de discussão promovida na Sede Brás. E, para fechar o mês, no dia seguinte, o premiado dramaturgo escocês Anthony Neilson teve um encontro com os aprendizes de Dramaturgia.

Pode parecer exagero, mas a Escola chega a ser quase uma extensão da casa dos suecos da Sada. Em outubro Suzanne Osten, Gustav Deinoff, Ann-Sofie Bárány e Cilla Thorell movimentaram o ambiente com oficinas e palestras, bem como o diretor inglês John Mowat, da Cia. Chapito de Lisboa, que ministrou aula e palestra.

Além de contribuir para promover uma mudança de percepção e atitude em relação ao artista com deficiência, com as oficinas do projeto “Unlimited: arte sem limites”, promovidas pela Escola em outubro, a Instituição entrou em contato com vários artistas do Reino Unido, como Robert Softley, Ramesh Meyyappan, Claire Cunningham e Amit Sharma.

Da Europa Central – mais exatamente da República Checa –, veio a mundialmente conhecida cantora e música Iva Bittová, que fez um show aberto ao público, encerrando um dos Territórios Culturais de outubro.

Jan Ferslev, ator, músico e professor dinamarquês que já esteve na Escola em 2011, retornou para uma aula aos aprendizes, compartilhando sua experiência com o Odin Teatret, grupo de Eugenio Barba. Stefan Kaegi, diretor suíço radicado na Alemanha, codiretor do Grupo Rimini Protokoll, também compareceu para ministrar uma palestra. Novembro ainda viu o mímico italiano Livio Tassan Mangina participar do Chá e Cadernos, discussão realizada na Biblioteca da Instituição.

Dezembro começou com outros visitantes da Velha Bota. Era a Escola sediando o lançamento do livro “A arte mágica”, de Amleto Sartori e Donato Sartori, dois dos maiores mascareiros do mundo. O filho, Donato, participou do evento e ministrou uma palestra, mantendo viva a tradição iniciada pelo pai.

Deu tempo, ainda, de o britânico Leon Rubin, diretor teatral, professor e diretor geral da East15 – parte da renomada University of Essex, de Londres, ministrar uma palestra aberta ao público, e do cenotécnico e diretor de palco venezuelano Gustavo Araque ministrar um workshop aos aprendizes de Técnicas de Palco.

Essas todas foram atividades e visitas pontuais. Mas houve aqueles que fizeram parte do dia a dia da Escola, durante todo o ano: os intercambistas. Os cubanos Reinol Sotolongo e Eugénia Alvarez, que cursaram, respectivamente, dois módulos de Direção e Dramaturgia; e Silvana Ivaldi, de Portugal, que veio para cursar os quatro módulos de Atuação.

“Milton Santos, no livro ‘Pobreza urbana’ (1978), afirma que não existe cidadania em um mundo dividido, e é isso que realmente nos interessa: um mundo mais solidário, em que todos possam se reconhecer como cidadãos do mundo”, finaliza Ivam Cabral.

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