Experimentos

 

“Antes de lançarmos a pedra fundamental da SP Escola de Teatro, meio que instintivamente, artesanalmente, já sabíamos que seria preciso instigar nossos aprendizes a descobrir as artes do palco. Como? Por meio dos experimentos. A vivência da experiência é única. O processo percorrido pelos núcleos é como uma roupa feita sob medida. É deles, ali, naquele instante. E para sempre.”

A descrição de Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição, diz respeito a um dos momentos de maior efervescência dos semestres da Escola: os experimentos.

Essa etapa consiste na reunião de aprendizes de todas as áreas em torno de um projeto comum. Assim, por três vezes durante o semestre, esses grupos, que são chamados de núcleos de trabalho, se debruçam sobre suas próprias investigações cênicas. Também por três vezes, abrem seus processos ao público – sem, no entanto, carregar o peso de uma apresentação de espetáculo ou resultado final. Essa mostra acontece, geralmente, no Território Cultural.

“Não que o experimento seja desprovido de fundamento teórico. Nada disso. Aqui na Escola, optamos por estruturar o ensino em quatro módulos independentes e autônomos, dois a cada semestre, divididos nas cores Verde, Azul, Vermelho e Amarelo, que trabalham eixos temáticos distintos, como narratividade, performatividade, personagem e conflito, escrita etc.”, avalia Ivam.

Além dos módulos e seus respectivos eixos temáticos, norteiam os estudos dos aprendizes o operador, modo por meio do qual as técnicas e conteúdos são trabalhados, sendo geralmente um pensador; os materiais de trabalho, que funcionam como um tema e encaminham as investigações; e o artista pedagogo, produções e referências artísticas da contemporaneidade que dão início aos estudos no módulo.

“Ou seja, há um método, tendo por trás uma teoria a ser ensinada, mas como isso se dará ficará a cargo do trabalho desenvolvido pelos aprendizes, sob a tutela do formador e do coordenador de cada um dos oito Cursos Regulares da Escola. Acredito que o aprendizado da experiência é o caminho. Ele respeita a individualidade de cada um, seu tempo, sua aptidão, sua disposição. Na educação, o que menos importa é o aprendizado da sequência”, explica o diretor da Escola.
Dessa forma, em 2013, a Escola teve um total de 12 experimentos, que deram origem a dezenas de aberturas de sala. Em cada experimento, a Instituição contou com a presença de um profissional do teatro convidado, que acompanhou as aberturas de sala e depois escreveram textos relatando suas impressões. Estes convidados foram: Eric Lenate, Claudio Serra, Tânia Pires, Silvia Poggetti, Ana Julia Marko, Mara Leal, Beth Lopes, Fernanda D’Umbra, Hayaldo Copque, Alexandre Dal Farra, Evaristo Martins de Azevedo, Henrique Schafer e Kiko Marques.

Começando pelo primeiro semestre: no módulo azul, os aprendizes tiveram como eixo temático a performatividade. O operador era o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. O material de trabalho era composto por oito imagens escolhidas pelo corpo docente da Escola, e o pedagogo que servia de referência para os estudos era Romeo Castellucci, diretor teatral italiano.

Já no módulo verde, o eixo era personagem e conflito. O operador era o filósofo francês Gilles Lipovetsky. Cartas sobre família escritas pelos aprendizes foram escolhidas como material de trabalho. Na função de pedagogo, este módulo trouxe o dramaturgo americano Nicky Silver.

Avançando para o segundo semestre, no módulo amarelo, os núcleos trabalharam tendo a narratividade como eixo temático. Como operador, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, e como material de trabalho, o cartunista Laerte Coutinho e a peça japonesa “Hagoromo”, atribuída a Motokiyo Zeami. E, finalmente, o pedagogo foi a companhia Ishin-Ha.

Finalizando o ano, o módulo vermelho, diferentemente dos outros, teve o eixo temático definido por cada núcleo, assim como o material de trabalho que encaminharia a pesquisa. O operador era o conceito de parresia, de Michel Foucault, e o artista pedagogo foi composto por uma série de peças (sendo duas por núcleo), nas quais os aprendizes tiveram de investigar o emprego da parresia.
Foram vários e ricos em diversidade os lugares ocupados pelos grupos. Além das sedes Brás e Roosevelt, as aberturas aconteceram em lugares como a Praça Roosevelt, a Universidade de Direito do Largo São Francisco, a Praça Patriarca, o Largo São Bento, o Pateo do Collegio e a Praça da República.

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