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30/05/2013

Débora Duarte por Laura Malin

Capa do livro

Capa do livro 'Débora Duarte ? Filha da Televisão', da Coleção Aplauso

 

 
*Apresentação do livro “Débora Duarte – Filha da Televisão”, da Coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, lançado em 2009 (para ler a obra, na íntegra, clique aqui)
 
A primeira vez que conheci Débora foi anos atrás, rapidamente, durante as gravações da minissérie global “Hilda Furacão”, onde ela fazia a Sãozinha. Lembro que foi divertido, ela pareceu ser uma pessoa amável e nós rimos muito na piscina do hotel. Rir com uma pessoa é um bom sinal, não é? 
 
A segunda vez que conheci Débora foi dez anos mais tarde, quando recebi a incumbência de biografá-la. De cara, ao telefone, foi muito simpática e me revelou o que nem desconfiava: é a atriz brasileira viva que mais novelas fez... e olha que tinha apenas 58 anos!!! 
 
Os encontros foram, no começo, justos de informação. Eu, como jornalista, não estava entendendo ainda quem era Débora Duarte. Quem era aquela mulher tão bela, de tanto sucesso, tantos trabalhos, família tão grande em atores, ex-amores do meio artístico... e tudo de uma maneira tão natural e tranquila. 
 
Uma das primeiras coisas que Débora me disse é que nunca conheceu o anonimato. Praticamente nasceu na TV (e com a TV, em 1950). Mas, apesar disso, não tinha nem um pingo da alma de celebridade, que é tão comum hoje em dia. Tinha, sim, a alma de artista que, como um saltimbanco, vai atrás do trabalho. Tinha, sim, a naturalidade de ser filha de dois grandes atores (Marisa Sanchez e Lima Duarte) e mãe de duas promissoras atrizes (Daniela Gracindo e Paloma Duarte). Tinha, sim, uma vida tão vivida, tão aproveitada, tão intensa, que mal cabe em sua memória. O que dirá num livro? 
 
Exatamente por isso, fomos à casa de uma de suas filhas, Paloma, abrir o baú de sua vida. O baú era real – mas também altamente simbólico. Recheado de fotos, reportagens, capas de revistas, programas de peças de teatro, não era apenas um compêndio de sua carreira. Estava, sobretudo, inundado de lembranças, daquelas que vão se apagando à medida que o tempo passa, para que a gente possa viver o presente. Foi no baú que achamos a memória de Débora; junto com imagens de seu passado, poesias e críticas exaltando seu talento. 
 
Durante a tarde que passamos na frente do baú, percebi na Débora expressões que (acredito) poucos têm possibilidade de registrar. Vi-a abrindo sua intimidade, e posso dizer que, daí em diante, fui espectadora de sua vida. 
 
Débora sempre foi linda, e suas fotos de juventude guardavam uma história que eu nem imaginava: ela teve sua trajetória toda documentada pela imprensa. Foi, o tempo todo, notícia. Foi uma celebridade sem se importar com a fama. E nunca teve nada de instantânea: veio para ser perene. 
 
Sua vida é um espetáculo. Sem intermissão. Desde seu nascimento, Débora Duarte trabalha sem parar diante das câmeras e nos palcos, para o deleite do público. Compreendi que ela não o faz por nada além do simples motivo deste ser o sentido de sua vida. 
 
Quando eu perguntava a ela como tinha sido, por exemplo, fazer duas peças, duas novelas e ter uma filha num determinado ano, ela respondia, içando as sobranchelhas: foi natural, aconteceu. 
 
Então, a Débora que encontrei dentro e através daquele baú, a Débora que me conquistou, é uma mulher extremamente forte, determinada, dedicada ao trabalho e à família. Mas diria que sua maior qualidade é sua originalidade. Ela é o que tem que ser, é o que sente, e sente com muita delicadeza o que é.
 
A terceira vez que conheci Débora foi durante uma série de entrevistas realizadas para o Instituto de Teatro Montenegro e Raman, onde ela foi entrevistada pelo ator Thiago Mendonça, na frente de uma plateia embasbacada. Aliás, é preciso dizer que parte deste livro deve-se a esta brilhante entrevista, onde Débora desnudou-se com uma força que poucos talvez possam entender, mas todos, sem dúvida, irão compartilhar ao longo do livro. Foi então que, realmente, eu conheci a Débora. No palco. Como um peixe que não se pode compreender fora da água, Débora não é Débora longe da cena. 
 
Explico o porquê. A Débora que vi no palco não era a mesma do sofá de sua casa, nem sequer era aquela que abriu o baú para reviver e compartilhar tantas memórias. A verdadeira Débora não apenas atrai toda a luz, atenção e suspiros da plateia em sua direção – mais, bem mais do que isso. Ela própria emana luz, cores, sons, brilhos no olhar, uma explosão de mulher, de atriz, de ser humano que supera todas as outras Débora – e que é, acima de tudo, a verdadeira Débora. 
 
Foi neste palco, portanto, que eu compreendi quem ela é. Sua alma. Sua potência. Sua essência. A Débora que não sofre no trabalho, mas dilacera-se na vida. Uma criatura divina que está nesta jornada, como ela mesma definiu, para servir! Servir de canal para as emoções, de ponte para os sentimentos, de instrumento (primoroso) para a arte. E como um cego, que tateia do objeto mais próximo até o seguinte, Débora vai buscando o seu caminho por entre suas obras, seus trabalhos, muletas que, no entanto, são suas próprias pernas (que sempre souberam caminhar sozinhas).
 
Débora, obrigada, antes de mais nada, por toda honestidade. Mas também pelo exemplo: irrequieta na alma, tela branca no corpo. Uma arte viva, uma carne trêmula, instinto puro, espontânea, pronta para aprender a viver... Sem desconfiar que vive o máximo, da melhor maneira, que é a sua! Bravo!
 

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